Saindo do senso comum

Guia EscolarSaindo do senso comum

É quase natural ouvir a seguinte afirmação: “a escola de hoje não ensina nada”, ou “os alunos não sabem nada”. 

Particularmente, fico muito constrangida, quero responder, explicar... enfim, vou escrever!

Assim como é natural ouvirmos essa afirmação, é bastante comum, nos dias de hoje, altamente globalizado, nos depararmos com aluninhos cada vez mais jovens, portando celulares cada vez mais sofisticados... louvo a ideia...

Como sou uma pessoa conectada, e procuro acompanhar as mais diferentes mudanças... e além de acompanhá-las, compreendê-las, usufruí-las... estou nas redes sociais (quero registrar aqui, que sou maior, vacinada e quase-aposentada).

Pois bem, meus alunos também estão nas redes sociais, haja vista, que cheguei a ter perto de três mil seguidores (a maioria de alunos e ex-alunos).

Para a minha surpresa, constatei que muitos alunos se revelam com um comportamento sofrível, deixando nas redes sociais os rastros da inexistência de qualquer limite.

Não estou aqui, criticando a maneira de escrever, uma vez que cada portador de textos conta com a sua peculiaridade; entretanto, estou enfatizando a falta de postura e a agressividade.

As garotas postando fotografias cada vez mais despidas, como se soubessem que isso fosse realmente interessante... a brutalidade está presente em todos os diálogos e chega às raias da total ignorância. 

Queria questionar: Quem adquire esses aparatos tecnológicos para jovens, cada vez mais jovens? É a escola?

Vamos em frente... as redes sociais funcionam diuturnamente e é comum me deparar com alunos conectados e postando “asneiras” de toda a sorte nos horários em que o normal seria que estivessem repousando. 

Acredito que as famílias tenham em mente que: se as aulas se iniciam as sete horas, nossos alunos que estudam nesse período precisam adormecer ao menos a partir das vinte e duas horas, uma vez que estão em fase de crescimento e necessitam desse descanso para poderem apreender os conteúdos que diariamente são apresentados.

Todavia, nos deparamos com alunos que adormecem durante as aulas, demonstrando extremo cansaço. 

Proponho um outro questionamento: A quem cabe definir os limites de horários em um lar? 

Algo que me causa surpresa, é o fato de algumas vezes (repetidas vezes) o aluno portar um aparelho de última geração e não trazer o mínimo material necessário para a aula... e agora, sou eu quem me questiono: Quem será que orienta essa criatura com valores tão desencontrados? 

Eu sei que os pais trabalham arduamente, também sou mãe. Entretanto, embora nos seja exigido horários excessivos de trabalho, essa carga não nos exime de acompanharmos diuturnamente nossos filhos, verificando seu comportamento, bem como ensinando, quando necessário, a maneira correta de agir e, impor limites. 

Importante enfatizar que o comportamento dos filhos revela a qualidade dos pais. 

Divagando e muito... é comum e já se tornou natural, nos finais de semana, encontrar jovens reunidos - é próprio da idade – as garotas (e como isso me dói), vestidas tão vulgarmente... Onde estarão as mães dessas “pobrezinhas” que não orientaram e/ou perceberam a falta que faz alguns limites?

Afinal, quem adquire as roupas cada vez mais minúsculas dessas meninas? Saias e shorts cada vez mais diminutos e decotes mais profundos... exibindo seios ainda em formação... É bom lembrar que há um limite muito tênue entre a elegância e a vulgaridade... 

Enquanto as jovenzinhas se expõem de maneira inarticulada (pois são capazes de rebolar antes mesmo de ler e escrever) – os garotos se escondem... por detrás de bonés sebosos... calças largas, camisetas enormes, jaquetas com gorros... como se fosse parte de um uniforme, imposto como regra. 

O excesso de consumo está produzindo seres sem identidade e sem vontade própria. As famílias fomentam esse comércio, propiciando o uso dos rótulos e das etiquetas, das marcas... aumentando e mantendo uma mídia que em nada nos acrescenta, mas nos mantem na mediocridade. 

Ouvimos chavões serem repetidos em nosso cotidiano, sem que façamos reflexões sobre os conceitos que os mesmos carregam. 

Enfim, temos hoje um grande problema a ser enfrentado e solucionado... O problema não é da escola, não é do colégio... não é de aprendizagem (as crianças e jovens aprendem – e muito – especialmente, aquilo que não deveriam). 

A inexistência de limites em todas as instâncias... desde o trânsito nas cidades... todos se sentem importantes demais... enclausurados egoisticamente em pequenos e inúteis mundinhos... é doloroso perceber que a solução é muito simples... e o problema aumenta exponencialmente... 

A falta da educação, não é um problema de aprendizagem/ensinagem e sim de se adquirir hábitos que demandam disciplina (tarefa dos pais). E onde estarão os pais?

Precisamos desses pais para tornarmos esses seres humanizados... 

A tarefa começa com mudanças de hábitos bem simples – de cada um de nós...

Deixar de parar em fila dupla...
Deixar de acreditar que é o dono do trânsito... 
Cumprir horários... 
Não querer levar vantagem em tudo... 
Ver a real necessidade de se adquirir os tais artefatos tecnológicos para os filhos... 
Reconhecer que se a escola limita o uso, o filho não precisa portar o celular... 

Hora de rever conceitos, questionar valores... 

Pensando bem... estamos atrasados... 
Em busca de um mundo que pode e deve ser melhor!

Guia EscolaRachel A dos Santos 
Professora, formada em Letras, Pedagogia, Educação Artística, Pós-graduada em Informática em Educação. Exerceu as funções de PCP – ATP – Vice-diretor – Diretor de Escola.

 

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